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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

quase parti



Por Matheus Matos*
De BH

Saio do chão,
voando baixo.
Não sei porquê,
estou tão cansado.

são quase-partículas,
Higgs de (d)Deus,
quase parti.

elétrons, prótons, nêutrons,
são átomos?
quarks são prótons, nêutrons?
mas o que são fônons, plasmons, 
plasmarons?
Pasma-me.
e os magnons, éxcitons?
Excita-te?

big-bang,
quente, denso,
matéria, anti-matéria,
boom!!!!

foi Deus que cuspiu o 
bóson de Higgs.

*Matheus Matos é físico e mantém o blog de poesias Minha vida, meus amigos e meus amores.

domingo, 12 de junho de 2011

Breu - Parte II

Por Rafael Mendes*
Do Rio de Janeiro
 
Se não soubesse que isto é, por questões geológicas, muito pouco provável , teria certeza de que, assim que pus meu prato de gororoba de batata sobre a mesinha de cabeceira, começou um terremoto. Que outro motivo haveria para todo o quarto tremer a ponto do meu prato e do meu copo d’água caírem no chão? Um terremoto explicaria isso. Porém, não explicaria o clarão que se expande rapidamente aqui dentro! O que tinha dentro desse “pirê”? Mas que diabo! Enfermei//
Breu.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Juan Gelman - Poeta Argentino



Por Luiz Lopes*
De Dininópolis - MG

Há alguns dias esbarrei com o nome de Juan Gelman. Não conhecia o poeta, mas logo me vi seduzido por seus versos. Trata-se de um dos maiores poetas de língua espanhola e de um escritor argentino que de uns tempos pra cá ocupa um lugar ao sol nas letras argentinas e no gosto do público leitor de poesia. No Brasil, existe uma edição bilíngue, bem cuidada e interessante para quem deseja entrar no universo de Gelman.

sábado, 14 de maio de 2011

Intangível

Por Luana Bonone*


A assustadora materialidade do intangível
desperta e revela
tudo aquilo que se esconde atrás do medíocre
sob o guarda-chuva do cotidiano

A concretude aterradora do intocável
revela-se pelo mais vil dos atritos
destituído de moral e valores
e repleto de vida

A temperatura macia do tremor
que arrebata a realidade
em um lampejo que mistura temporalidades
torna o eterno jocosa quimera
Absolutamente impotente
diante da força do imponderável

*Luana Bonone é jornalista e edita o blog Botando o verso no trombone

sábado, 30 de abril de 2011

Dia azul - Poema do Multiverso

Créditos da imagem:M101 (Pinwheel Galaxy) - Ursa Major
 Por Matheus Matos*

Em uma estrada longa,
muitas pessoas.
Em cada uma um universo.

    Uma infinidade de universos.

Multiverso.

São universos paralelos,
pertinhos, com suas próprias leis naturais.
Em tempo de se colidirem.
De um cair no outro.

Aquela moça ali,
de camiseta branca e calça jeans.
Em que universo ela está?
Em que universo estou?
Vi que o meu caiu no dela,
mas o que será que ela achou?

Eu aqui brincando no universo deles.
E eles? Nem ai.

A música do cara da poesia ao lado deixa
meu universo inundado de estrelas.
Colisões entre galáxias faz-me chorar.
Dia azul, sem nuvem, também.

*Matheus Matos é físico e mantém o blog de poesias Minha vida, meus amigos e meus amores.

domingo, 20 de março de 2011

Poesia Setor 8

Poesia Any Zero FRAN
Arte Lupin

Via Fanzinoteca Mutação

terremoto nuclear
nunca antes
nada assim
tamanho
de um
fim.

sábado, 19 de março de 2011

Uma descoberta: lendo A escrava que não é Isaura

Por Luiz Lopes*
De Curvelo/MG

Acho que todo professor de Literatura brasileira em algum momento já citou em sala de aula o texto A escrava que não é Isaura, de Mário de Andrade. Eu sempre citei-o, mesmo não tendo lido, como forma de explicar a crítica dos modernistas ao pensamento e à estética romântica. Esta semana em meio ao tumulto das mudanças e o corre-corre da “via sacra” ( meus percursos semanais: Curvelo-B.H.-Divinópolis), me deparei enfim com o livro de Mário na biblioteca do CEFET. Não hesitei e tomei-o em minhas mãos.

terça-feira, 15 de março de 2011

Sophia de Mello Breyner Andresen: a poética do real

Por Luiz Lopes*
Via Caderno de Caligrafia

Esta semana consegui ler em meio aos tumultos e correrias um livro de Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004). A obra se intitula Poemas escolhidos e a seleção dos poemas é de Vilma Arêas. Eu já conhecia a poetisa portuguesa por meio do contato com o trabalho O mar de Sophia, de Maria Bethânia. Nesse trabalho a cantora brasileira recita poemas da poetisa que se referem ao universo do mar. Se meu primeiro contato com Sophia, mediado por Bethânia, foi prazeroso, entrar no universo mais amplo da escritora portuguesa me deu ainda mais prazer. Na antologia estavam alguns poemas ligados ao mar, às águas e ao fluxo da vida, mas havia mais, muito mais.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

sábado, 8 de janeiro de 2011

Cotidiano - quase tradicional


Por Matheus Matos*
Amor,
levanta desse chão que te condena,
dessa tristeza que te acorrenta,
desse teu medo de viver.

Levanta,
vem dizer que me ama,
me tem como tua janta,
vem devorar meu ser.

Consome,
gasta toda a tua ira,
veja bem que não tem mentira,
nosso amor é pra valer.

Responde,
esse grito que te atira,
essa música da minha lira,
esse meu canto de amadurecer.

E cala-te,
simplesmente com meu beijo,
toma pra ti o meu desejo,
esse meu desejo de viver. 

*Matheus Matos é físico e mantém o blog de poesias Minha vida, meus amigos e meus amores.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Logo Alí

Por Ivan Seixas Barbosa*

Olho cego
imerso no ego
do próprio bem estar
com nada a se incomodar.

Assiste ao isolado continente,
mas desliga a mente
dos conflitos por ele iniciados,
mas todos inacabados...

Da Darfur de grilhões
aos genocídios e explosões.
Do Zimbabwe autoritário
com pouca ajuda humanitária.

Mas cadê o petróleo?
Onde estão os diamantes?
Pois o olho só vê onde há óleo
e só enxerga os brilhantes.

*Ivan Seixas Barbosa é biologo e mantém o blog Boi Calundú.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Cândido Portinari e sua arte moderna.

Cândido Portinari foi um dos pintores brasileiros mais famosos. Este grande artista nasceu na cidade de Brodowski (interior do estado de São Paulo), em 29 de dezembro de 1903. Destacou-se também nas áreas de poesia e política.

Durante sua trajetória, ele estudou na Escola de Belas-Artes do Rio de Janeiro; visitou muitos países, entre eles, a Espanha, a França e a Itália, onde finalizou seus estudos.

No ano de 1935 ele recebeu uma premiação em Nova Iorque por sua obra "Café". Deste momento em diante, sua obra passou a ser mundialmente conhecida.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Volúpia.


Por Débora M. Alcântara*

A língua em lâmina
Cortava, ácida,
Em pleno crepúsculo
O lombo da maçã
Feria a ferro
a ferida fulcrada
Na calada da caça
A pele marcada
Pelica, luvas
O crime perfeito
O gume da espada - sangria
O lume da brasa - luzia
Escorria o pecado entre os dentes
E um sorriso de lambedeira
Envergonhava Calígula
Atrás da porta.

*Débora M. Alcântara é Jornalista independente em Salvador/Ba

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Um sangue viscoso e laranja


Por Sophia Sales,
Curvelo - MG

Soa a sirene... O turno acabou.
Ando desesperado, tremendamente apressado para chegar em casa.
Como dói a labuta do pão-nosso de cada dia.
E por falar em pão, tudo que agora quero é um pão.
Pão-cheiroso, pão-gostoso, pão-mineiro, pão-de-queijo!
A boca saliva na espera desse doce aquecimento.
Tudo em vão.
Abro a porta.
Meus olhos não querem crê no que vêem.
Meu Deus! Lá está ela, chorando lágrimas de sangue.
Como? Por que? Queria eu saber.
É tudo muito estranho ...
Um sangue viscoso e laranja desce como cachoeira viva.
Quanta angústia.
Quero logo saber o que se passa, e de maneira sem graça pergunto:
- Que aconteceu minha querida?
Nem o silêncio responde.
Posso ouvir até o barulho das lágrimas, mas tudo permanece em completo silêncio.
Entro então em completo desespero.
Onde estou afinal? Em casa? Em um bosque?
Trepida loucura!
Onde está você agora minha querida... Não a vejo mais....
Sinto, porém suas lágrimas de sangue sobre o meu corpo.
Vejo tudo imantando em mim. O sangue que corre na pele escoa veias adentro.
Mágica simbiose.
E pela primeira vez me sinto inteiro: corpo e alma.
Vou me desfazendo, espalhando pelo chão esse novo ser, vitalizado.
Despedaçando, instilando desejos e sonhos para que nasça novamente, entre um turno e outro, um novo sangue viscoso e laranja.
Ah! A cor púrpura é meu bem querer.
Até amanhã.

*Sophia Sales é aluna do 2 ano do curso de Edificações do CEFET/MG campus X em Curvelo - MG.
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