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domingo, 30 de setembro de 2012

Vai faltar pigmento verde no mercado

Por Kátia Gomes Matos* 
De BH

Pouco a dizer sobre a devastação ambiental. A prática já extrapola a teoria. Por constituir um câncer no subsolo, na superfície e na atmosfera do planeta estamos contribuindo para que nada seja deixado às próximas gerações: luz, sombra, água, ar, condições de produzir comida e vestuário. Paradoxal privação irrestrita. Graças a nós que consumimos todos os produtos que o capitalismo nos enfia goela abaixo e alienadamente os deglutimos.

sábado, 27 de agosto de 2011

Um médico vermelho

Por Cristovam Buarque*

A primeira vez que escutei falar em Aloysio Campos da Paz, em 1980, ele foi tratado como um diretor autoritário e privatista da saúde. Era a opinião de profissionais em greve no antigo Hospital Sarah, que estavam contra o sistema que ele implantava, elevando os salários, mas exigindo dedicação exclusiva, avaliando competência e organizando disciplina de seu corpo de funcionários.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Conexões e complexidade, nova coluna de Nelson Pretto no Terra Magazine

Por Nelson Pretto
De St. Andrews, Escócia
Estou agora aqui no Terra Magazine com uma escrita mais regular. Desde as primeiras conversas sobre o tema com Bob Fernandes, fiquei pensando sobre o enfoque que poderia dar à esses escritos, lidos na tela de um computador ou de um tablet, ainda caros, mas que começam a se espalhar também pelo Brasil. Educação seria o óbvio, afinal sou professor universitário, estudo e escrevo sobre o tema. Mas seria pouco apesar da sua grandeza. Cultura? Ciência e Tecnologia? Cada um deles poderia ser uma boa alternativa e, imagino, eu daria conta de dar uns pitacos nessas áreas, digamos que com alguma propriedade.

domingo, 10 de abril de 2011

Por uma nova economia energética

Por Ricardo Abramovay*
É necessário desfazer a ilusão, difundida amplamente por Al Gore, de que os Estados Unidos podem tornar-se independentes dos combustíveis fósseis nos próximos dez anos. Mesmo que o esforço nessa direção seja equivalente ao mobilizado durante a Segunda Guerra Mundial, levará ao menos três décadas para que fontes alternativas substituam o petróleo na matriz energética americana.

sábado, 9 de abril de 2011

Vergonha do Sete

Por Cristovam Buarque*
No século XIX, Victor Hugo se negou a apertar a mão de D. Pedro II, porque era o Imperador de um país que convivia naturalmente com a escravidão. Hoje, Victor Hugo não apertaria a mão de um brasileiro para parabenizá-lo pela conquista da 7ª posição entre as potências econômicas mundiais, convivendo com total naturalidade com a tragédia social ao redor. Estamos à frente de todos os países do mundo, menos seis deles, no valor da nossa produção, mas não nos preocupamos por estarmos, segundo a Unesco, em 88º lugar em educação.

domingo, 20 de março de 2011

TRAGÉDIA NO JAPÃO: Sobre sismos e tsunamis

Por Ulisses Capozzoli* 
Via Observatório da Imprensa

Em menos de uma semana, milhões, talvez bilhões de pessoas em todo o mundo aprenderam, com a duríssima lição japonesa, conceitos básicos de geofísica. Com o terremoto, seguido de tsunami que afetou e ainda afeta o nordeste do Japão, placa tectônica foi um conceito incorporado ao cotidiano de pessoas que vão de donas de casa a estudantes, passando por jornalistas, economistas e políticos.

domingo, 13 de março de 2011

Futebolizando a ciência

Por Vanderlei Salvador Bagnato*
Publicado originalmente na Revista Pesquisa Fapesp


Recentemente, por ocasião das comemorações dos 75 anos da Universidade de São Paulo (USP), tivemos a brilhante palestra do professor William D. Phillips, Prêmio Nobel de Física de 1997 pelo desenvolvimento de métodos para resfriar e armazenar átomos com o laser. Foi um verdadeiro show de física e de entusiasmo. O professor Phillips demonstrou o grande momento que vivemos e as razões que deveriam estar motivando os jovens a se envolverem com ciências nos dias atuais.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Manifesto da Ciência Tropical

Um novo paradigma para o uso democrático da ciência como agente efetivo de transformação social e econômica no Brasil

Por Miguel Nicolelis
Via Scientific Americam Brasil

É hora de a ciência brasileira assumir definitivamente um compromisso mais central perante toda a sociedade e oferecer o seu poder criativo e capacidade de inovação para erradicar a miséria, revolucionar a educação e construir uma sociedade justa e verdadeiramente inclusiva.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Quando o trágico se torna épico

Por Paulo Moraes*
De Feira de Santana - BA
Há uma semana atrás a História se fazia no Presente, o maior desastre natural do Brasil, na verdade não tão natural, pois de Natural ali só a chuva. Nos últimos 16 anos, apenas fatos como desastres, queda de aviões e mortes de personalidades tornam-se fatos para que saibamos de tudo um pouco e algo de comoção Nacional que unifica o país de Norte à Sul e de Leste à Oeste.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

ESPECIAL JAYME TIOMNO: Jayme Tiomno e o silêncio da mídia

Por Antônio Arapiraca*
De Reims/França

Na madrugada do dia 12 de janeiro de 2011 o Brasil perdeu um dos mais importantes cientistas do mundo. O físico teórico Jayme Tiomno morreu, aos 90 anos, no Rio de Janeiro e mais uma vez não vimos sequer uma linha escrita sobre o fato nos grandes veículos de comunicação do país. Concordo que a contratação de um grande craque do futebol para um dos maiores times brasileiros possa ser a primeira página, afinal o futebol é uma paixão nacional. Uma tragédia como a da região serrana fluminense deve ocupar também as chamadas principais.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Carl Sagan, o elogio do ceticismo ou "É melhor acender uma vela do que amaldiçoar a escuridão."

Por Domingos Sávio de Lima Soares*
De Belo Horizonte
30 de dezembro de 2010

Carl Sagan (1934-1996), astrônomo norte-americano e divulgador apaixonado das conquistas científicas da humanidade foi um paladino do ceticismo. Ao consultarmos um dicionário encontraremos os significados seguintes para ceticismo: disposição para duvidar de tudo, descrença, incredulidade.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Pisa, mas não humilha

Por Luciano Rezende Moreira

Na semana que passou foram divulgados os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos, o Pisa 2009. Para uma economia que está posicionada entre as dez maiores do mundo, a 54ª posição entre os 65 países avaliados é no mínimo embaraçosa. Uma economia pujante, que esse ano vai crescer em ritmo chinês, ainda incapaz de garantir educação de qualidade ao seu povo - diferentemente desta mesma China, que ocupa o primeiro lugar na lista.

domingo, 12 de dezembro de 2010

FORMAÇÃO DO JORNALISTA: O diploma e os desafios contemporâneos


São raras as atividades das quais participei nos últimos dois ou três anos nas quais, independente do tema sendo discutido, não aparecesse alguém e cobrasse minha posição sobre a obrigatoriedade do diploma de curso superior em jornalismo para o exercício da profissão de jornalista profissional.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Ciência, tecnologia e eleições

Por Antônio Arapiraca
Publicado  no Observatório da Imprensa
em 12/10/2010

Como de costume, causou bastante furor na mídia internacional o anúncio dos laureados com o prêmio Nobel de 2010. Na Física, os ganhadores foram André Geim e Konstantin Novoselov, da Universidade de Manchester, na Inglaterra. Eles coordenam uma pesquisa com um novo tipo de material chamado grafeno – uma forma de carbono muito fina – que pode substituir o silício no processo de fabricação de chips de computadores. O grafeno chega a ser cerca de 200 vezes mais forte do que o aço estrutural e tem excelente comportamento como condutor.
Acredito que este seja um momento para debater a questão da ciência, da tecnologia e da inovação no mundo. Em se tratando do Brasil, parece que a forma em que vem sendo discutido o processo eleitoral tem abafado qualquer outro debate. Um rápido olhar na mídia mostra que a pauta sobre o Nobel no país não vem tendo a mesma relevância dada pela mídia internacional.

sábado, 11 de setembro de 2010

Físico: um profissional preparado para resolver problemas

 Olá Leitores do CTCL,

Hoje apresentamos com enorme prazer um post gentilmente cedido pelo físico mineiro Thiago Gomes de Mattos. O Dr. Thiago tem graduação e mestrado em física pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Doutorado em Física pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e realiza pesquisas na área de Física Estatística e Termodinâmica, trabalhando com métodos computacionais para estudar autômatos celulares, dynamic scaling, sistemas fora do equilíbrio e crescimento de interfaces rugosas. Atualmente Thiago realiza estágio pós-doutoral no Max Planck Institute for Metal Research em Stuttgart na Alemanha e deixa aqui no CTCL suas impressões sobre a profissão do Físico.

Mais informações sobre o autor e sua carreira podem ser encontradas no seu Currículo Lattes.

Boa Leitura

Prof. Antônio Arapiraca

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Físico: um profissional preparado para resolver problemas 

Por Thiago Gomes de Mattos,
Stuttgart - Alemanha
Sábado, 5 de junho de 2010


Não são raras as vezes em que, ao responder à pergunta “qual é a sua profissão?”, escuto comentários do tipo “você é louco!”, ou o clássico “você deve ser muito inteligente!”. Ora, escolher a Física como profissão não é sinal de inteligência, muito menos de loucura. Loucura seria escolher uma atividade laboral que não te desse o mínimo de prazer em seu exercício. E “inteligência” não se mede pelo conhecimento em matemática ou em qualquer Ciência Exata, mas sim pela relevância dos resultados que você obtém em seu trabalho, seja ele qual for.

Inteligência e loucura à parte, escolher a profissão de cientista ainda requer uma certa dose de coragem. Pelo menos no Brasil, um país que, apesar do notável (e recente) crescimento no panorama econômico mundial, ainda investe pouco em Ciência e Tecnologia, em comparação com diversos países desenvolvidos e em desenvolvimento. Além disso, ainda existe uma certa idéia engessada na cultura brasileira de que a academia é uma escolha profissional ruim, com péssimas perspectivas financeiras. Mas isso, na verdade, é uma grande falácia, oriunda de uma geração acostumada a respeitar somente um seleto e celebrado conjunto de profissões, tais como Engenharias, Direito e Medicina. E,infelizmente, alguns jovens que optam por carreiras científicas, ainda têm que lidar com a dificuldade de “convencer” seus familiares de sua opção profissional.

Mas, uma vez vencida a barreira da “coragem”, um horizonte profissional muito interessante se abre diante de você. Um horizonte bastante diverso daquele que se vê no “mercado padrão”, aquele das empresas, indústrias, escritórios e hospitais. Você se vê diante de uma gama enorme, quase infinita, de conhecimento. E, tão importante quanto a perspectiva do aprendizado, o surgimento de novos desafios: problemas não resolvidos, perguntas não respondidas e questões em aberto. Esse é o desafio do cientista: fornecer respostas para as muitas perguntas existentes e, muito mais do que isso, propor novas perguntas relevantes para a comunidade científica. A cada resposta fornecida, muitas novas perguntas surgem. Ainda bem.

Dentro desse contexto da pesquisa científica, posso falar com certa propriedade do papel do Físico. É claro que ainda tenho muito chão para percorrer, mas já posso compartilhar a experiência que adquiri nesses meus pouco mais de 10 anos de profissão.

A Física é uma ciência muito interessante, não só por sua proposta primordial de tentar entender racionalmente como funciona o universo em torno de nós, mas também por sua notável interdisciplinaridade: o físico interage com profissionais (cientistas ou não) de diversas áreas, tais como químicos, biólogos, cientistas sociais, filósofos, economistas, engenheiros e, pasmem!, administradores de empresas. Isso demonstra que a Física é muito mais que as Leis de Newton, a Mecânica Quântica ou a famigerada equação de Einstein para a energia de repouso de um corpo, E=mc2.

O segredo dessa forte interatividade está no fato de que o físico é um profissional treinado para resolver problemas. Não somente problemas como o consagrado plano inclinado da Mecânica Clássica, ou os ciclos da Termodinâmica, ou o átomo de Hidrogênio. Mas problemas em geral. O físico está preparado para encarar uma situação, i.e. um problema, de forma pragmática: qual é a situação atual? Aonde se quer chegar? Quais são as ferramentas à minha disposição? Qual a forma ótima de chegar ao objetivo proposto?

É claro que, apesar da aparente simplicidade da proposição da “equação”, um conhecimento técnico específico da área em que se localiza o problema é necessário para o cumprimento da tarefa (Quais são as ferramentas à minha disposição?). Não estou dizendo que um físico pode chegar, do nada, a uma empresa e começar a ditar algoritmos para o melhor estratagema corporativo. Longe dessa petulância! Não obstante, com algum aprendizado das ferramentas disponíveis no mercado de atuação de tal empresa, o físico é capaz de desenvolver habilidades para elaborar estratégias com destreza diferenciada. E isso tem sido reconhecido no últimos tempos, haja visto que há físicos ocupando importantes posições em diversas empresas de inúmeros ramos profissionais, desde a metalurgia até o mercado financeiro.

Cai, portanto, o mito do físico nerd que domina nada mais que equações, gráficos e conceitos abstratos. O físico é um profissional treinado para resolver problemas.
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