terça-feira, 14 de junho de 2011

Do Equador com amor


Do Equador com amor from Lilian Müller on Vimeo.

Por Lilian Muller
Do Equador

Cheguei a Puerto Lopez, no litoral da província de Manabi, no Equador, com um pé atrás. Os muitos apaixonados por Montañita que conheci durante a minha visita à cidade me perguntavam: “Qué vas a hacer en Purto Lopez???”, dizendo que o lugar não oferecia nada especial. Eu não tinha muita escolha, apesar do desejo de permanecer em Montañita, precisava seguir viagem, ou corria o sério risco de ficar vivendo de brisa naquele paraíso de surf e belezas até meu visto expirar.

Apesar da desconfiança, a primeira impressão ao chegar na cidade foi boa. A segunda – ainda melhor – veio com a recepção da dona da pousada onde me hospedei. Brasileira, mineira, de Belo Horizonte, da Pampulha (qualquer semelhança é mera coincidência!), fala um português completamente misturado ao espanhol depois de 20 anos vivendo no Equador, o que a torna ainda mais simpática. A agradável hostería, repleta de árvores carregadas de frutas, galinhas andando ao redor e a boa e velha hospitalidade mineira, me lembrou as fazendas do interior de Minas da minha infância, com o extra da vista para um lindo mar azul. Quando já sentia saudades de um pedaço de broa com café, a mineiridade adaptada me agraciou com um típico pastel de banana madura. Banana aqui, por sinal, é matéria-prima para todo e qualquer tipo de delícia, seja doce ou salgada!

Puerto Lopez fica bem próximo ao Parque Nacional Machalilla, uma extensa área verde no litoral equatoriano. A paisagem é bem diferente das que encontrei nas praias do norte do Peru. Acostumados a amarelos morros desérticos margeando as praias, meus olhos se surpreenderam com o novo verde beirando o azul das águas do Pacífico. Estranhamente aqui, a vegetação é composta por plantas de regiões extremamente secas em meio à floresta tropical, o chamado bosque seco tropical – uma das poucas áreas com esse tipo de floresta que ainda restam na nossa devastada América do Sul. Pelas trilhas, passei por cactos, cobras e calangos – aqueles lagartos de regiões secas… pois é, no meio de uma rica mata.

Machalilla
Calango seco na floresta tropical











Parque de praia
Mas o grande tesouro dos locais é a Isla de La Plata, apelidada “Galápagos dos pobres” por abrigar algumas espécies da queridinha dos olhos do Equador e ser mais acessível – ou, eu diria, economicamente possível – aos bolsos dos simples mortais como eu. Entrei no barco em direção à ilha sem esperar muita coisa, resultado mais uma vez de comentários de viajantes e relatos de guias de viagem. Ficou provado novamente que quanto menos se espera, mais se recebe. Pelo menos comigo acontece…

O Equador, país generoso que é, pequeno notável de natureza gigante e diversificada, não admitiu que eu continuasse com qualquer tipo de dúvida com relação a suas belezas. Em mais um dos seus truques para me convencer, tirou da cartola centenas de golfinhos – e aqui não minto, foram centenas! –, que me esperaram chegar à proa do barco e ligar a câmera para se revelar. Começaram o espetáculo humildes, poucos deles mostrando, de longe, partes de seus corpos. Aproximaram-se com calma, já menos tímidos, para o segundo ato, no qual um grupo ziguezagueava ao redor e o outro, que acredito ser a comissão de frente, saltava lentamente na frente do nosso barco abre-alas. Cerca de 15 minutos depois, terminaram o show com o elenco completo, em perfeita harmonia de saltos entoados por gritos de “Olé!” das companheiras espanholas do passeio. Uma mágica da natureza que deixou boquiabertos os poucos espectadores que tiveram a sorte de subir naquele barco, àquele dia.

Patas azuis sim senhor
Enquanto o guia dizia, orgulhoso, “Esse é o meu país!”, eu agradecia ao Equador por mais esse maravilhoso e inesquecível presente.

*Lilian Müller é jornalista, travell-writer, edita o blog Viajar é (um) Barato e colabora com o fóton Blog

fonte: O Viajante na TV

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