terça-feira, 1 de março de 2011

Carnaval de Maragojipe: tradição e resistência

Por Gabriela Fonseca*
De Salvador


Quem conheceu o Carnaval da Bahia antes dele ser transformado em um vantajoso negócio, lembra com saudade daquela época em que as pessoas saíam para “brincar” e não “pular o Carnaval” como se diz hoje. O que poucos baianos sabem é que, há apenas 133 quilômetros de Salvador, uma cidade preserva a tradição das antigas festas momescas. Em Maragojipe, caretas e mascarados se espalham pelas ruas e praças, onde cantam e dançam ao som das antigas marchinhas, promovendo um grande baile a céu aberto.

Talvez Maragojipe seja a única cidade do interior do Estado a manter os seus festejos de Carnaval. Os bailes em clubes eram muito comuns nas pequenas cidades, mas foram esquecidos depois do surgimento de outro grande negócio chamado Micaretas, os tais “Carnavais fora de época”, muito lucrativos para as estrelas da Axé Music e suas empresas.


Entre os anos de 1993 e 1996, Rubens Guerra Armede, então prefeito de Maragojipe, tentou instituir a Micareta, que aconteceria uma semana antes do Carnaval. Mas os maragojipanos prepararam as suas fantasias e foram para as ruas fazer a tradicional festa até a quarta-feira de cinzas, mesmo sem o apoio da administração municipal. Por isso, o Carnaval de Maragojipe é símbolo da resistência de um povo que não permitiu ter sua história e sua cultura destruídas pela lógica do capital.


Em 2009, o Carnaval de Maragojipe foi reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac) como Patrimônio Imaterial da Bahia, por ser uma manifestação popular única no Estado.





*Gabriela Fonseca é jornalista.

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