domingo, 8 de julho de 2012

Fim do impresso?


Por Débora Alcântara*
De BH

A nova geração de leitores que manejam com facilidade publicações eletrônicas via iPads, tablets e smartphones está num momento histórico dos hábitos de leituras, como muitos que marcaram tempos em que os sumérios guardavam suas informações em tijolos de barro, os egípcios desenvolveram a tecnologia do papiro ou ainda quando, na segunda metade do século XV, surgiu o livro impresso com o grande engenho de Gutemberg.

Justamente no atual processo evolutivo dos livros, com o impacto da incorporação das novas tecnologias nas sociedades, este ano, a Encyclopedia Britannica anunciou o fim de sua versão impressa, focando-se apenas na sua versão online. Da mesma forma, a editora Oxford University Press está considerando não mais publicar a versão impressa do dicionário.

Essa tendência, segundo o diretor do Núcleo do Livro e Literatura da Fundação Pedro Calmon, Mayran Gallo, terá um impacto positivo nos hábitos de pesquisa. “A compactação de conhecimento favorece a pesquisa e espanta a preguiça. Já não precisaremos nos deslocar ao conhecimento, que estará ao nosso lado, fácil e quase totalizado”, argumenta.

Mas isso seria o anúncio do fim das obras impressas? A diretora da Associação Brasileira das Editoras Universitárias (Abeu) e também da Editora da Ufba (Edufba), Flávia Rosa, acha que os leitores que ainda não se adaptaram às novas formas de leitura eletrônica devem se preparar. Pelo menos para ter acesso às obras de referência, que requerem uma atualização permanente, como as enciclopédias e dicionários.

“Não faz mais sentido fazê-los em papel”, disse. Ela argumenta que, com o processo de globalização, novos conceitos e vocabulários precisam ser compartilhados nesses suportes de forma cada vez mais rápida e constante. “Já em relação às outras obras gerais, haverá uma convivência por longas décadas. O suporte eletrônico de leitura ainda não está popularizado”, pondera. Concorda a presidente da Câmara Brasileira do Livro, Karine Pansa: “Para o leitor, é muito mais cômodo contar com um dicionário ou uma enciclopédia que pode ser facilmente atualizada, sem a necessidade de se trocar toda uma coleção de livros”.

Brasil

Karine Pansa adverte, no entanto que, no Brasil, a realidade ainda é bastante distinta. A Editora Barsa Planeta, por exemplo, informa ter vendido, em 2010, 70 mil coleções, 15 mil a mais do que no ano anterior. “Embora a tendência para as mídias digitais no Brasil seja de crescimento, ainda há bastante espaço para a convivência entre as duas mídias”, pondera.

De acordo com dados da CBL, no Brasil, as vendas de livros digitais ainda são irrisórias se comparadas com as das edições impressas. Mas a previsão é de que esta realidade comece a ser revertida nos próximos anos, com a entrada maciça de cerca de 9 milhões de tablets no mercado nos próximos cinco anos.

A diretora das Bibliotecas Públicas da Bahia, Ivanise Tourinho, pondera a expectativa de crescimento do mercado de livro eletrônico no País e acredita que as versões impressas de obras de referência não acabarão. “Claro que, com o tempo, teremos de fazer assinaturas eletrônicas das obras extintas. Mas, jamais as versões impressas deixarão de ter seu lugar. Há leitores que ainda não se habituaram à tela e preferem folhear o livro impresso”, diz.

*Débora Alcântara é jornalista. Matéria publicada em A Tarde. 


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