segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Tornados nanométricos são o futuro das memórias de computador

Espécies de tornados em escala nanométrica, os vórtices podem substituir o atual modelo de construção da memória dos computadores. É o que afirma o professor Bismarck Vaz da Costa, do Departamento de Física do Instituto de Ciências Exatas, um dos conferencistas da 8ª edição da Escola Brasileira de Magnetismo, evento que será realizado de 16 a 21 de outubro, em Ouro Preto.

Em sua conferência, o pesquisador abordará as propriedades dos vórtices magnéticos. “Os meios magnéticos para armazenamento de dados e memória dos computadores, da forma como são hoje, estão com os dias contados. Mais dois ou três anos chegaremos ao limite de miniaturização com a tecnologia atual” explica Bismarck. Segundo ele, as possibilidades abertas pelo uso de nanodiscos magnéticos permitirão sua redução em aproximadamente cem vezes. Além disso, a vida útil dos arquivos será muito maior, algo entre 50 e 200 anos, superando a tecnologia atual que guarda dados por um período entre 10 e 20 anos.

O professor mostrará como se faz para obter os vórtices, que podem ser encontrados em quase todos os nanodiscos magnéticos. Seu grupo é o único no país a pesquisar essa tecnologia de forma intensiva usando simulação computacional, que também é alvo de estudos na Alemanha, Inglaterra e Holanda.

Os estudos são apoiados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), por meio do Programa de Apoio a Núcleos de Excelência (Pronex). Cerca de R$ 1,5 milhão já foram investidos no projeto ao longo de três anos. De acordo com o professor Bismarck, o grupo que coordena conta com pesquisadores no Departamento de Física da UFMG e do grupo de simulação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

Apesar dos avanços, as pesquisas realizadas no Brasil estão aquém dos estudos europeus na área de memória computacional por causa da defasagem de infraestrutura. Os testes feitos pela equipe do professor Bismarck valem-se apenas de modelos computacionais, enquanto na Europa eles agregam técnicas de microscopia magnética, o que permite visualizar e estudar com mais precisão o comportamento e as propriedades dos vórtices.

O evento
Realizada a cada dois anos pela Sociedade Brasileira de Física (SBF), a 8ª Escola de Magnetismo destina-se a estudantes de iniciação científica, pós-graduação e doutores que atuam em magnetismo, agregando os atuais desafios e avanços na área. “Será uma oportunidade de despertar os estudantes para novas pesquisas, mostrar a eles os limites do conhecimento físico e incentivá-los a superá-los”, vislumbra o professor da UFMG.

A programação contará com minicursos, palestras e sessão de pôsteres. Será oferecido também curso prático de preparação e caracterização de filmes finos e ultrafinos, para um grupo de 20 estudantes pré-selecionados, a ser realizado nos laboratórios do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear da UFMG, em Belo Horizonte, nos dias 22 e 23 de outubro.

A 8ª edição da Escola Brasileira de Magnetismo ocorrerá no Centro de Artes e Convenções da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), na rua Diogo de Vasconcelos, 328, Bairro Pilar, Ouro Preto. Mais informações na página do evento.

fonte: Boletim da UFMG

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