sábado, 2 de julho de 2011

2 de julho: A Independência que o Brasil esqueceu

Por Laurentino Gomes*

Nenhuma outra região lutou, sofreu e derramou tanto sangue em defesa da Independência do Brasil quanto a Bahia. Sem a resistência  obstinada dos baianos, provavelmente a Guerra da Independência estaria perdida. Foram 17 meses de combates, nos quais milhares de pessoas pegaram em armas na defesa dos interesses brasileiros contra Portugal. A expulsão das tropas portuguesas de Salvador no dia 2 de Julho de 1823 marca a consolidação definitiva da luta pela Independência.

Na capital baiana, tombou também a mais conhecida heroína dessa guerra, a madre Joana Angélica, ferida a golpes de baioneta na invasão do convento da Lapa, em fevereiro de 1822.

Apesar disso, a data é desconhecida pela imensa maioria dos brasileiros que vivem fora da Bahia. Raramente aparece nos livros didáticos e não consta do calendário cívico nacional. É uma injustiça que precisa ser corrigida. Em 1822, Salvador era um ponto estratégico crucial para a consolidação do nascente império brasileiro. Capital da terceira província mais populosa do País, tinha uma importante indústria naval e exportava grandes quantidades de mercadorias, como algodão, açúcar e tabaco.

Era também grande polo do tráfico negreiro, então o principal negócio do Brasil. Após o Dia do Fico (9 de Janeiro de 1822) e a expulsão das tropas portuguesas do Rio de Janeiro, as cortes de Lisboa decidiram concentrar suas forças na Bahia tentando isolar o príncipe regente e futuro imperador Pedro I. Acreditavam que, encastelados em Salvador, os portugueses poderiam, mais tarde, atacar o Rio de Janeiro e retomar o controle das províncias do Sul do País.

Em último caso, se a contra ofensiva não funcionasse, poderiam dividir o território brasileiro mantendo as regiões Norte e Nordeste sob controle português. Por isso, a guerra na Bahia foi tão renhida e decisiva.

No Recôncavo baiano, sob o comando do general francês Pierre Labatut, concentraram-se as forças do até então indisciplinado e  desorganizado exército brasileiro. Os soldados estavam descalços, famintos e com os soldos atrasados. Muitos morriam de tifo e impaludismo, febres endêmicas no Recôncavo. Faltavam médicos, enfermeiros, remédios ehospitais. As armas eram fabricadas de forma improvisada pelos próprios oficiais e soldados.

Apesar disso, lutando contra tudo e contra todos, os baianos conseguiram vencer as adversidades e iniciar a ofensiva contra os portugueses.

A Bahia decidiu o futuro do Brasil na sua forma atual. Por essa razão, 2 de Julho é uma data fundamental, tão ou até mais importante que o 7 de Setembro. Ela é a prova de que a Independência do Brasil não se resume ao Grito do Ipiranga.   
        
*Laurentino Gomes é Jornalista e escritor. Escreveu os best-sellers 1808 e 1822, também disponíveis em versão juvenil. mais em www.laurentinogomes.com.br.

fonte: A Tarde

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