quinta-feira, 24 de março de 2011

Gira-gira ao redor da Terra: Saiba mais sobre os satélites artificiais e suas missões

Por Eder Cassola Molina*
Via Ciência Hoje
 
Neste exato momento, alguns objetos feitos por humanos giram ao redor da Terra: são os satélites artificiais. Fora da atmosfera terrestre, eles têm várias missões, como capturar imagens e outros tipos de dados por meio de sofisticados instrumentos para ajudar os cientistas a investigar a Terra e o espaço. Aperte o cinto para conhecer a história dessas maravilhas criadas para navegar fora do planeta.

As naves espaciais sempre estiverem na imaginação das pessoas. Tanto que alguns escritores nascidos numa época em que elas nem existiam viviam inventando histórias sobre como seriam. Júlio Verne, por exemplo, um grande escritor de ficção científica, em sua obra Da Terra à Lua, do ano de 1865, narrou uma viagem a bordo de um foguete antes mesmo de as naves espaciais serem criadas.

A história real da conquista do espaço é tão emocionante quanto a das obras de ficção. Muitos experimentos fracassaram e outros tantos foram bem-sucedidos. O mesmo aconteceu com os satélites artificiais.

Esses satélites são objetos que ficam em órbita ao redor do planeta. Eles são construídos e lançados pelos seres humanos para ter diversos usos. Podem obter imagens e medidas de algum fenômeno natural, como as tempestades; podem realizar experimentos; podem transmitir informações de rádio e televisão, entre outros usos. Imagine que eles estão preparados até para espionar países, no caso de uma guerra. Pois é, nem tudo são flores...


Gira-gira ao redor da Terra 2
Lançamento inesperado

Em 1954, um cientista alemão chamado Wernher Von Braun propôs o lançamento de um satélite artificial pelos Estados Unidos. O país estava trabalhando na construção de vários equipamentos e na realização de diversos testes, como o lançamento de foguetes, algo muito especial na época. Mas, quando faltava pouco para os americanos conseguirem lançá-lo com sucesso, ocorreu uma surpresa: a União Soviética lançou o Sputnik 1, o primeiro satélite artificial da história, em 4 de outubro de 1957.

Por fora, o Sputnik 1 era um objeto relativamente simples, lembrava uma bola de futebol. Feita de alumínio, a esfera tinha 58 centímetros de diâmetro e era preenchida com gás nitrogênio, pesando, aproximadamente, 80 quilos.


Com quatro antenas de dois centímetros e meio de comprimento, o satélite carregava dois transmissores de rádio que enviavam informações de temperatura e pressão para a base de controle aqui na Terra e se comunicava emitindo um sinal parecido com um “bip-bip-bip”. O Sputink 1 analisou a estrutura da atmosfera terrestre durante os 92 dias que esteve em operação, quando deu mais de 1400 voltas ao redor do planeta, totalizando mais de 70 milhões de quilômetros percorridos. Ufa!

Corre-corre!

Com o lançamento do Sputnik 1 pela União Soviética, os Estados Unidos resolveram correr para realizar o lançamento do primeiro satélite americano. Mas veio outra surpresa: novamente a União Soviética conseguiu colocar em órbita outro satélite artificial, o Sputnik 2, em 3 de dezembro de 1957.

O Sputnik 2 era um satélite muito mais elaborado que o primeiro, tinha a forma de cone, com quatro metros de altura e dois metros de diâmetro na base. Pesava cerca de quinhentos quilos e era dividido em vários compartimentos que continham transmissores de rádio e instrumentos científicos para realizar medidas, além de manter a temperatura e a qualidade do ar no interior do satélite.

Nesse corre-corre para investigar o espaço, o primeiro ponto positivo para os Estados Unidos foi a criação da agência espacial americana, a Nasa, em 1958.

Cadela a bordo
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O Sputink 2 levou a bordo a cadela Laika, em 2 de dezembro de 1957 (foto: Nasa).

Um fato muito interessante sobre o Sputnik 2 é que ele transportava uma passageira: a cadela Laika. Com um mamífero a bordo, a União Soviética iniciava as pesquisas visando ao lançamento de naves espaciais tripuladas por seres humanos, o que a deixava muito à frente na chamada “corrida espacial”.

Laika ficava presa por correias e podia se alimentar e hidratar por meio de comida gelatinosa, que lhe era disponibilizada constantemente. Uma câmera de TV e vários eletrodos presos nela permitiam monitorar suas sensações e a resposta de seu corpo durante o lançamento e toda a viagem espacial. Como não havia jeito de o Sputnik 2 voltar à Terra, a cadela Laika não teria um final feliz. Na verdade, sua morte ocorreu horas após o lançamento, por causa de um problema no controlador de temperatura do satélite.

Mas o fato de a cadela ter sobrevivido às duras condições do lançamento mostrou que era possível enviar seres vivos ao espaço com sucesso e abriu a fronteira para a realização de um sonho antigo: um dia o ser humano poderia ir ao espaço!

*Eder Cassola Molina é geofísico e trabalha no Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciência Atmosféricas Universidade de São Paulo.

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