terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Entrevista com Carlos Eduardo Fellows.

fóton Blog/Divulgação.
Durante o VIII Workshop em Física Molecular e Espectroscopia, realizado em Curitba, de 23 a 26 de novembro, o fóton Blog entrevistou o físico e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Carlos Eduardo Fellows. Fellows tem doutorado em física pela Université Paris XI (Paris Sud) e coordena o Laboratório de Espectroscopia e Laser do Instituto de Física da UFF. Em 2003, juntamente com alguns outros membros da área no país, Fellows organizou em Niterói o I WFME. 
 Nesta entrevista, ele relembra o processo de criação do evento e avalia o crescimento do mesmo ao longo de oito anos.

Entrevista concedida ao físico Antônio Arapiraca, com a colaboração da jornalista Débora Alcântara

fóton Blog - Por que criar o Workshop em Física Molecular e Espectroscopia (WFME) e qual a avaliação das edições ao longo desses oito anos?

Carlos Eduardo Fellows – A criação aconteceu a partir de um encontro meu com o professor Frederico Vasconcellos Prudente, da Universidade Federal da Bahia (Ufba). Nós percebemos que quando eu tinha demanda de cálculos teóricos mandava rodar nos Estados Unidos e que esses mesmos cálculos poderiam, todos, ser feitos na Ufba. Eu estava mandando meus dados para o exterior e descobri que poderiam ser tratados aqui no país. Chegamos à conclusão que não existia comunicação entre as pessoas da área de Física Atômica e Molecular no país. As pessoas não se conheciam. Então a nossa idéia foi de criar um encontro onde nós pudéssemos juntar todos os pesquisadores da área de Física Atômica e Molecular no país para discutirem juntos sobre como buscar colaboração, interação e troca de idéias. Então, o WFME foi criado em 2003 sem nenhum recurso, na marra, porque tínhamos vontade de fazer. Hoje em dia, sete anos depois, fizemos uma estatística básica e vimos que no primeiro evento, em 2003, havia 55 participantes. No evento atual, a nossa oitava edição, nós tivemos 157. Ou seja, nós quase triplicamos o número de participantes, o que mostra que temos espaço e demanda para este tipo de evento. E isso foi feito em uma área específica. Isso pode ser feito em todas as áreas de Ciência e Tecnologia. E vamos encontrar retorno, porque as pessoas estão desenvolvendo trabalhos científicos e tecnológicos em todo o país. Isso tem de ser fomentado.

fóton Blog - E os órgãos de fomento? Eles estão apoiando essa idéia, estão sendo receptivos e ampliando o espaço de financiamento pra esse tipo de evento? 

C. E. Fellows – Até certo ponto, sim, porque se levarmos em consideração que na primeira edição nós tivemos um apoio muito pequeno, proveniente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro e da Capes somente, hoje em dia nós temos o apoio da CAPEs, do CNPq, do Estado onde é realizado o workshop e das Fundações e Entidades de Amparo à Pesquisa (FAPS) de todo País, que financiam a estadia e as passagens dos participantes de cada Estado. Existe atualmente até um certo respaldo das agências de fomento. Não tenho muito a reclamar. Acho até que é preciso que isso seja incentivado para além de nossa área. Acho que a partir do momento que as pessoas verem que a coisa está sendo tocada de maneira séria, vai começar a surgir retorno das FAPS. Mas, é necessário que existam mais fórums de interação deste tipo. É esse tipo de interação que vai levar as pesquisas de ciência e tecnologia do país para frente. Vamos lembrar dos encontros de Copenhaguen, que eram promovidos do dinheiro do bolso das pessoas para discutirem a nova ciência da mecânica quântica.

fóton Blog – Então o senhor acha que houve o fortalecimento do segmento da Física Atômica de Molecular no Brasil por conta do WFME? O evento tem motivado colaborações e mais trabalhos?

C. E. Fellows – Certamente. Ainda assim, quando você não consegue uma colaboração formal, é uma oportunidade de discutir idéias com pessoas da área. Só isso já é fantástico.

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