sexta-feira, 20 de maio de 2011

Seguindo pinguins

Por Juliette Savin*
De Munique - Alemanha

Cientistas americanos estão usando robôs nadadores para estudar pinguins. Esses “gliders” (robôs planadores) seguem as trajetórias dos pinguins e ao mesmo tempo coletam dados sobre a composição química da água, da temperatura e a presênça de plâncton e outros microorganismos. O biólogo Bill Fraser e os oceanógrafos Alex Kahl e Oscar Schofield, da Universidade de Rutgers (EUA) esperam que os dados recolhidos pelos robôs ajudem a entender o porquê da diminuição das populações de pinguins.


Os robôs são programados para seguir Pinguins Adélie, equipados com um marcador satélite, no Atlântico Sul, perto do continente Antártico. Schofield já utilizava esse tipo de robôs nadadores para coletar dados da composição química dos oceanos e estudar os organismos do plâncton, mas é a primeira vez que esses robôs são usados junto com um sistema de localização para seguir grupos inteiros de pinguins. Até agora era difícil estudar os animais quando eles estão na água procurando comida, os biólogos apenas coletavam dados no período de reprodução dos pinguins, durante o qual eles permanecem fora da água.

O continente Antártico tem sofrido um grande aumento de temperatura nos últimos 50 anos – em média 6°C no inverno. Há décadas os pinguins estão sofrendo uma mortandade em massa, provavelmente por causa do aquecimento do planeta. Com o aumento da temperatura, as áreas de gelo onde os pinguins se alimentam estão diminuindo e isso mexe com toda a cadeia alimentar, no topo da qual estão os pinguins. Os camarões que os pinguins comem se alimentam de alga que normalmente cresce perto desse gelo. Sem gelo, não tem alga, e sem alga o prato preferido dos pinguins some! Os robôs ‘gliders’ da Universidade de Rutgers estão ajudando a descobrir exatamente o que acontece. Estes robôs são monitorados e controlados por um centro de controle no campus da Rutgers, em New Jersey, e todos os dados coletados são disponibilizados na internet .

Referência: Integrative and Comparative Biology, volume 50, number 6, pp. 1041–1050 doi:10.1093/icb/icq098

Para outro material sobre o assunto na mídia: veja essa matéria.

*Juliette Savin mora em Munique/Alemanha. Ela é especialista em divulgação científica, trabalha para o NMI3 - Integrated Infrastructure Initiative for Neutron Scattering and Muon Spectroscopy e colabora com o fóton Blog.


fonte: Blog Olho de Biólogo

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