sexta-feira, 18 de março de 2011

Maior dinossauro carnívoro do Brasil viveu no Maranhão

Por Vinicius Zepeda
Via Boletim Faperj

Ilustração de Maurílio Oliveira
Com comprimento entre 12 e 14 metros, e peso de 5 a 7 toneladas, o Oxalaia quilombensis, foi o maior dinossauro carnívoro a habitar o País já descrito por pesquisadores em artigo. O anúncio da descoberta ocorreu numa coletiva de imprensa, realizada na manhã desta quarta-feira, 16 de março, na sede da Academia Brasileira de Ciências (ABC). "Fósseis do crânio envolvendo a narina e o maxilar do animal foram encontrados na Ilha do Cajual, no Maranhão, norte do País. Até o momento, ele é também a primeira espécie de dinossauro carnívoro formalmente descrito da região", afirma o paleontólogo e Cientista do Nosso Estado, da FAPERJ, Alexander Kellner.


O pesquisador explica que o nome Oxalaia é derivado e Oxalá, divindade masculina mais respeitada na religião africana pelos negros durante o período da escravidão no Brasil. "Já quilombensis vem da expressão portuguesa quilombo, local que abrigava escravos fugidos e seus descendentes – conhecidos como quilombolas", complementa. Além de Kellner, mais quatro pesquisadores do Museu Nacional/UFRJ – Sergio A. K. Azevedo, Elaine B. Machado; Luciana B. Carvalho e Deise D. R. Henriques respectivamente – assinam o artigo que descreve a nova espécie.
A apresentação do gigante carnívoro foi feita pela paleontóloga Elaine B. Machado. "O Oxalaia quilombensis era de espécie de espinossaurídeos, dinossauros com crânio alongado e espinhos que formam uma espécie de vela nas costas, que habitou o Maranhão há 95 milhões de anos", explica Elaine. Ela acrescenta que mais duas espécies de espinossaurídeos foram descritas no Brasil, ambas do período cretáceo inferior, que viveram na região da Chapada do Araripe, entre os estados do Ceará, Piauí e Pernambuco: o Irritator challengeri e o Angaturama Limai. Este último, apresentado há dois anos numa exposição no Museu Nacional/UFRJ realizada com apoio da FAPERJ, era até a descoberta do gigante maranhense, uma das maiores espécies de dinossauros carnívoros do País. "Porém, vale destacar que o Oxalaia seria mais parecido com os espinossaurídeos encontrados no norte da África do que com os brasileiros. Isso acontece porque, no período anterior, os continentes africano e americano eram um só", acrescenta.

A pesquisadora Elaine Machado mostra como seria o Oxalaia quilombensis, o maior dinossauro carnívoro brasileiro.
Créditos: André Muzell/R7
No evento foi apresentado também um novo crocodilomorfo do período cretáceo superior do Brasil, descrito em artigo pelo diretor do Museu de Ciências da Terra/DNPM, Diogenes de Almeida Campos, e os paleontológos do Museu Nacional/UFRJ Sergio A. K. Azevedo, Alexander Kellner, Luciana B. Carvalho, Gustavo R. Oliveira e Rodrigo G. Figueiredo.

Campos falou sobre a nova espécie, encontrada nos afloramentos de um ramal ferroviário entre Presidente Prudente e Pirapozinho, no sudoeste de São Paulo. O animal viveu no período imediatamente anterior à extinção dos dinossauros, entre 65 e 90 milhões de anos atrás. “Suas feições o colocam na família dos peirossaurídeos, conjunto de crocodilomorfos com crânio e dentes peculiares, cujo gênero – Peirosaurus – foi descrito pela primeira vez em extratos da mesma época, em Peirópolis, nas cercanias da cidade mineira de Uberaba”, explicou. Um crânio, mandíbulas, cinco dentes pré-molares e um molde que sugere como seria sua cabeça foram exibidos ao público presente. “Em nossas escavações, descobrimos dois crânios e mandíbulas, além dos dentes pré-molares que apresentamos”, acrescentou.

O crocodilomorfo recebeu o nome de Pepesuchus deisae. “O primeiro nome foi uma homenagem ao geógrafo da Universidade Estadual Paulista (Unesp) José Martin Suárez, mais conhecido pelos colegas como Pepe, que, no final da década de 1960, ajudou nas coletas de fósseis na região”, destacou Campos. “Já o segundo foi uma homenagem a nossa colega do Museu Nacional/UFRJ Deise D. R. Henriques, que participou diretamente da coleta do material e muito tem ajudado em outras pesquisas”, complementou.


Reconstrução de uma espécie pré-histórica do jacaré que conhecemos hoje, que viveu há cerca de 80 milhões de anos.
Créditos: André Muzell/R7

O presidente da ABC, Jacob Palis destacou a importância do evento e das descobertas paleontológicas. Já o vice-diretor do Museu Nacional/UFRJ, Marcelo Carvalho enfatizou que parte das peças serão exibidas numa exposição no museu a partir desta quinta-feira, 17 de março. “Também vamos reinaugurar a exposição do Maxakalisaurus topai, popularmente conhecido como Dinoprata", acrescentou. Apresentado em 2006 no museu, a montagem de seu esqueleto e a de outro dinossauro gigante, o Futalognkosaurus dukei, foi realizada, em sua maior parte, com apoio da FAPERJ.

Durante o evento, ainda foram mostrados um novo lagarto e penas fossilizadas de 115 milhões de anos. Os jornalistas presentes receberam os Anais da ABC – uma das revistas científicas mais antigas do Brasil, publicada ininterruptamente por 83 anos –, reunindo 20 trabalhos inéditos sobre a biodiversidade de passado, incluindo os apresentados na coletiva, escritos por pesquisadores brasileiros e estrangeiros. Também foi distribuído um CD com fotos das descobertas destacadas e os resumos expandidos dos trabalhos.

Com 7 mm de comprimento, esse fóssil caracteriza uma espécia primitiva de um pequeno lagarto, batizado de Brasiliguana prudentis. Créditos: André Muzell/R7

Penas fossilizadas de animais emplumados não voadores que habitaram a Terra há cerca de 115 milhões de anos.
Créditos: André Muzell/R7

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