sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Quando o trágico se torna épico

Por Paulo Moraes*
De Feira de Santana - BA
Há uma semana atrás a História se fazia no Presente, o maior desastre natural do Brasil, na verdade não tão natural, pois de Natural ali só a chuva. Nos últimos 16 anos, apenas fatos como desastres, queda de aviões e mortes de personalidades tornam-se fatos para que saibamos de tudo um pouco e algo de comoção Nacional que unifica o país de Norte à Sul e de Leste à Oeste.
E nesse cenário o principal responsável por estas escolhas é a Grande Mídia, que adora faturar com a Miséria alheia, pois faz de tragédias um espetáculo para milhões assistirem 24 horas.


É claro que este espetáculo não sai de graça, aos que pensam que é apenas solidariedade da Mídia com os que perderam tudo. Pergunte se a Rede Globo, ou qualquer outra, fez alguma doação, ou apenas estão pedindo que os outros façam isto. Vivemos em uma época morta, e a prova disto é que apenas este tipo de noticia nos emociona e nos faz ver que o mundo é tão pequeno. Pois quando se discutem questões de relevância nacional, regional ou municipal não nos emocionamos, apenas dizemos que política, religião e futebol não se discutem, como se estas três coisas fossem iguais, talvez apenas na paixão de quem as adora.


Isto deve explicar esse novo tempo, um novo século, uma nova década, um ano novo. Novamente começamos o ano com tragédias e mais doações, e no fim a culpa é do  aquecimento global, que fez o Haiti tremer e a região serrana do Rio de Janeiro afundar. Porém, algumas semanas depois esquecemos, porque virá alguma outra tragédia para substituir a anterior e teremos que mandar os donativos para outro lugar. Começamos 2010 no Haiti e terminamos em Alagoas. E agora? Para onde vamos enviar os donativos? Para o Twitter, o Facebook ou o Orkut?

Vivemos em um tempo em que a reflexão foi esquecida e vivemos um dia após o outro, como se o mundo fosse terminar amanhã. Perdemos a esperança e a vontade de sonhar com dias melhores. A utopia virou uma palavra sem sentido e revolução algo do passado. Quando apenas o trágico se torna épico, significa que vivemos em um mundo sem história e isso não pode continuar.
*Paulo Moraes é historiador, ativista político e edita a Revista Transa.

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